2 de agosto de 2011

O Campo e a Passarela

Hoje eu gostaria de comentar com vocês um ponto de vista que venho defendendo já faz algum tempo.

Ele não tem base sociológica científica. Está baseado apenas nas minhas conjecturas e é sobre o porquê das pessoas com mais de 40 anos serem discriminadas no mercado de trabalho.

Penso que uma das razões esteja em duas profissões de enorme destaque e influência. As modelos e os jogadores de futebol.

São duas profissões incentivadas pelos pais desde a infância, para as quais não existe um processo de educação formal, assim elas estão atingíveis para qualquer pessoa que tenha beleza ou talento. Não é necessário investir 20 anos estudando.

Nada contra, muito pelo contrário. O problema é que atualmente elas começam cada vez mais cedo. É frequente vermos modelos já famosas com 13 anos e jogadores de futebol com 17 negociando contratos impensáveis para a imensa maioria dos mortais. Claro que essa parcela é muito pequena, mas serve de modelo, como “ídolo”.

Por outro lado, essas carreiras aos 30 anos já estão no fim, com raríssimas exceções. O turnover de modelos e jogadores é incessante.

Penso que essa conjugação de fatores cria uma expectativa nas pessoas de que aos 23 anos o profissional já deva estar no meio da sua carreira e pensando em parar de trabalhar em sete anos e curtir sua riqueza acumulada.

É comum a expressão “fazer meu primeiro milhão antes dos trinta”.
São tempos de comunicação em tempo real que exigem respostas imediatas para tudo. E realizações profissionais tão rápidas quanto.

Dessa forma, o profissional que avalia outros profissionais com mais de 40 anos, tem, no seu subconsciente, a impressão de que essas pessoas ou não tem talento ou estão velhas e defasadas, visto que “ainda estão procurando emprego” quando já deveriam estar se aponsentando.

Não vou fazer apologia sobre como é difícil conseguir um emprego aos 50 anos, porém me dá a impressão de que nunca houve tantos consultores como existem hoje. E esse número só tende a crescer. Haja campo e passarela!

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